sexta-feira, 6 de junho de 2008

Para aqueles que amam vinhos, poesias e virtudes...

Embriaga-te

Deve- se estar sempre bêbado. É a única questão. 
A fim de não se sentir o fardo horrível do tempo, 
que parte tuas espáduas e te dobra sobre a terra. 
É preciso te embriagares sem trégua.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude?
A teu gosto, mas embriaga-te.
E se alguma vez sobre os degraus de um palácio, 
sobre a verde relva de uma vala, 
na sombria solidão de teu quarto, 
tu te encontrares com a embriaguez já minorada ou finda, 
peça ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, 
a tudo aquilo que gira, a tudo aquilo que voa, 
a tudo aquilo que canta, a tudo aquilo que fala, a tudo aquilo que geme
Pergunte que horas são. E o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, 
o relógio, te responderão. 
É hora de se embriagar !!!
Para não ser como os escravos martirizados pelo tempo, embriaga-te. 
Embriaga-te sem cessar. De vinho, de poesia ou de virtude.
A teu gosto.

(Charles Baudelaire)

2 comentários:

Carol Nassau disse...

Belíssimo! Nada como "Os Paraísos Artificiais", retomando Baudelaire, para narcortizar as dores da alma e da saudade.

Cristiana Brandão disse...

oh, alegria... saudade, amizade e amor!