sábado, 12 de abril de 2008

Um ciclo de palestras com Edgar Morin


Pensamento descentralizado, humanidade, O Método e complexidade. Sexta e sábado, participei de um ciclo de palestras com o historiador, filósofo e antropólogo Edgar Morin. Organizado pela Mairie de Paris, o debate foi gratuito. Estudantes, professores, colegas da universidade, amigos, interessados, jornalistas... O Palais de Métallons ficou pequeno para tanta gente e idéias. Do alto dos 87 anos de idade, lá estava Edgar Morin. Sorridente e muito educado, ele discutiu sua obra com pesquisadores e com o público em 3 debates, na sexta-feira: Humanidade, Novas Mídias e Complexidade. No sábado, trechos do documentário sobre o pensador e as perguntas e homenagens do público deram o tom do encontro. Ainda sob o efeito das palavras de Morin, elocubro como um homem que cruzou o século XX e ainda atua no século XXI influencia tantas pessoas em continentes tão diversos. Dois professores, um do Congo e outro da África do Sul, foram até lá prestar homenagem a Morin. Bem humorado e levemente irônico, Edgar falou da obra que construiu com muito desapego. Segundo ele, nós, os leitores, somos os co-autores de qualquer obra literária, inclusive a dele. Sem nós, ele não teria feito nada. Do cinema a cultura de massas; das estrelas a questão dos judeus no mundo moderno; da literatura ao pensamento complexo, Morin é autor de um pensamento aberto e descentralizado. Voltado para a cultura, mas a partir do ponto de vista antropológico, Morin tem uma obra marcada por questões vigentes na contemporaneidade. Segundo uma aluna, ex-orientanda e colega de Sorbonne, Morin é um daqueles pesquisadores que não dá para etiquetar. Pensador voltado para a resistência, ele ainda volta os olhos para as minorias, para aqueles que estão à margem. Lugar, que segundo ele, sempre foi o seu.

2 comentários:

Patricia disse...

Cris, de onde vc conhece esse povo todo? Por onde vc foi que nós ficamos pra trás? Maria conhece o homem, ossos do ofício. E vc, de onde. E por falar nisso, vc entende tudo? 87 anos, o cara murmura em francês arcaico. Se vc entende, ta espetacular parabens.

Cristiana Brandão disse...

que francês arcaico, menina... o cara é super articulado. um velhinho lindo, inteligente e com um humor... me lembrei demais da carol e do ivan falando na minha cabeça que na vida a gente precisa de humor. bjs

bom demais te ter por aqui, minha irmã