segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O amor nos tempos do cólera



Sempre que leio em sites ou revistas que tal diretor ou aquele roteirista vão adaptar um clássico da literatura universal, minhas pernas tremem. Para falar a verdade, dói o fígado! Pode ser chatura ou até purismo da minha parte, mas não é sempre que as dimensões humana, histórica e cultural de um cânone literário, quando levadas para a tela grande, são respeitadas. O motivo desse blábláblá todo é a adaptação de Mike Newell (diretor) e de Ronald Harwood (roteirista) para o livro, ou melhor, para a obra-de-arte de Gabriel García-Márquez. O filme é belo. A fotografia do brasileiro Affonso Beatto é um primor. As locações, figurinos e direção de arte parecem saídas de um quadro de Frida Kahlo. Mas o que me mata, trucida mesmo, é o filme não ser feito em espanhol. Para você ter uma idéia, os protagonistas são Javier Bardem - espanhol; Giovanna Mezzogiorno - italiana; Fernanda Montenegro - brasileira; Benjamim Bratt - norte-americano descendente de latinos. Muito já foi dito por críticos e experts de cinema que o diretor Mike Newell ficou focado no melodrama de um homem que ama uma mulher por toda a vida e só consegue concretizar o ato de amor 51 anos depois de conhecê-la. Sou bem mais simplista. Acho que todos os puristas (e me incluo entre eles) se calariam se o filme fôsse feito em espanhol. A língua pátria de García-Márquez merecia mais respeito. O molejo, desenrolar da história, sofrimento de Florentino, arrependimento de Fermina e toda um sorte de fatores criados pelo autor colombiano teriam sido potencializados apenas com um ato: o respeito a língua Hispânica.

2 comentários:

.,. o que é que eu tenho a ver com isso?.,. disse...

aplauso para o comentário muito oportuno, Cris!
vou ter que assistir o filme agora!

Cristiana Brandão disse...

saudade de ti, mafra gága. bjs