quarta-feira, 7 de novembro de 2007

de Helder Quiroga para todos

Flerte

Ontem te vi passar pelo calçadão

Estavas leve, entregue ao acaso.

Talvez perdida em suas próprias abstrações

Talvez incerta de minha ausência

Ontem te vi passar

Vingando em mim tua nudez

Afagando meu penar indiscreto

Que sem lhe pedir licença

tocava-lhe o corpo com o meu olhar.

Ontem te vi como se em mim

Chorasse um eu profundo

Inundado em tua pele

em teu rosto

A navegar em mim um relapso do tempo

Que quando passa não traz os desavisos da memória.

Ontem te vi passar

Como o passado em mim

Transcorrendo as páginas de um museu inquieto

À espera que a arqueologia de conta do tempo e das tristezas dos homens

Ontem te vi passar

e quando o instante passou

Sem medo e sem ciúme

Vi o reflexo do teu rosto em minhas lágrimas

Antecipando em fim o seu olhar.

Helder/ 07

Um comentário:

videomeiquer disse...

Não perca, domingo, no áudio e visual: O quarto das cinzas... Poema lindo.