quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Congresso Internacional do Medo


Ouvi de uns amigos, há poucos dias, que viver de música no Brasil é foda, que o circuito indie é uma selva, que tem as leis, internet, discos e tal e coisa. À todos aqueles que concordam ou discordam, indico passar uma temporada na coxia de uma peça teatral e entender o que significa fazer teatro no Brasil, ou seja, sinônimo de perrengue e raça. Esse coré coré todo foi para introduzir mais um momento delicado de tanta belezura que o grupo Espanca! (hoje Grace, Gu Bones e Marcelinho + convidados especialísimos) conseguiram levar para os palcos. "Congresso Internacional do Medo" é a terceira montagem do premiado grupo. "Por Elise" (uma jóia do teatro nacional) e "Amores Surdos" conseguiram colocar no mapa cultural do país um grupo de teatro mineiro que não trabalha só com "a Minas uai". Eles não levam rendas e bordados para a cena, não sacolejam para lá e para cá, não cantam e dançam e muito menos vivem de leis frondosas. São uma galera guerreira que leva a arte para a vida e a vida para o palco de uma forma que me encanta (e vai em primeira pessoa mesmo o comentário). A nova montagem tem na luz, trilha (Xande, parabéns!), figurinos e elenco forças da natureza que interagem e se confrontam. O "Congreso" é uma peça anti-teatro. Sentados, de costas, em suspenso, os atores e bailarinos-peixes constroem uma Babel cerceada pela vida e pela morte. O medo não é a premissa, apenas eclode a ação-verso-fala que a diretora e dramaturga Grace Passô criou junto aos artistas em processo colaborativo. O "Congresso" se torna internacional nas risadas angustiantes da platéia, nas línguas criadas e recriadas pela trupe, nos bailarinos-peixes que assistem e dão tônus para cena. Sei que acontecimento para a língua portuguesa é um terremoto, um tsunami, um vendaval! Para mim, o "Congresso Internacional do Medo" é um acontecimento cheio de singelezas, uma cafifa que deu mais que certo, um corte nesse fazer careta e retrógrado do teatrão, um tabefe na língua, um beijo na platéia. Que venha o medo, espreita do futuro! Que venham mais peças, Espanca! Vida longa à todos vocês!

3 comentários:

Carolínea disse...

Deu vontade de ir ver...
Bjs,
Carol

Cristiana Brandão disse...

Vá! bacios

Cláudio Henrique disse...

De tão apaixonado que sou com o trabalho do Espanca, vou fazer um programa com a moçada. O mote será o Congresso internacional do medo. Ainda não fechei a data com a Grace. Em breve resolvemos isso e eu divulgo aqui e no meu blog.
Cláudio - produtor do programa "Brasil das Gerais - Rede Minas
Blog:
www.coisasuteiseinuteisdavida.blogspot.com